Image credit: Katie Neece, "Through the Vestibule", Oil on Canvas

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What are mornings for, if not for this?

The light was just rising not falling and they’d already baked two

loaves of bread or cakes and they didn’t come out right one

was low on sugar


someone started dying not eating lamb like you said on the phone I know


things are different now that you’re gone—but think about it




travels so many places before reaching us


and you said this would happen


before leaving


when you read


in an anthology of modern poetry


something like this: what is normal, in a world of sound,


is to maintain continuity


but you know we’re not in a world of sound


don’t you?


I know I know


the first time someone said this he came here


came to us and said:


if we leave the table, the bar


—we were isolated by the noise of the bar—


you know, better than anyone,


what would happen: someone would want


to go to Maricá (today, tomorrow, or more precisely anytime any day of any week)—but you know


(better than anyone)


newsstands still sell papers

even if no one buys them

only the elderly, once in a while,

because sometimes

a poem of yours still lands in the paper


but think about it—


the city is still at war but the home

as Auden said


the home is where two or three important things still happen





The areas around japan  

first steps around the poem and hence the verses

written for you


< toward you >


There, in the south american capital of pork-lite  


things have a way of happening always on the ground 

not like clothes, folded—


falling always exactly so,

over bodies, bent—like an olympian 

(you know?)


you know 


what this means: 


that boy never slept in your head and now 

here, in the south american capital of pork-lite, 

it’s as if he already knew 


the past 


the poems


were not 


like mine, yours

or ours – that we write


without even knowing 


what verses are 


but now, here, 

in the south american capital of pork-lite,

things have a way of happening always on the ground

and humans no longer fear 

            their past –


(the keys

were never lost, but found 


clothes never held in the rain but held over bodies even 

if no one was

“ready for that”


—what was the name of that stranger, again, 

who came and traversed the city, always falling, even in the rain?)



if no one thought or knew otherwise: 


it was a dream 

or an invasion—


No, it was much more than that: sundown

in the south american capital of pork-lite—



in some near future

conglomerates touched the stars

and you noticed

how I ended up 




—or when you knew

(as you say you do now)

what to write, what to do, 


what to say


about those constructions 

made before us


above us, within us, beside us—


and together with it all 


the fortified city fading away 


waving us goodbye, as we leave it


like one leaves a poem. 





A man holding a baby

when a lily sprouted between us, from joseph’s staff, 


(because jesus chose a donkey

and not a horse

to ride into jerusalem) 


that was when it all began 


and still it would limn through the breeze, mist and sea




they were kids 

playing around the world 

in tunnels, gardens,


of war 


and those were the sycamores 

pondered by Plath

and Pound 


now, think: 


there’s an infinite number of rivers and lakes and seas 

and you acquired a raft 


and you wish I would have been there, of course 


(and I wish I would have been there, of course) 


because it was a beautiful rainy day, sun against the stained glass 


and Yusuf asked

if we still loved

our parents 




his face wrinkled


& elongated


like in an El Greco


(or a plastic 




and maybe my mouth still held 


the taste of something distant 


(like cheese, horses, apples)


ingredients no one knew for sure 


and no one knew 

if where we were 


was a church 

or a kitchen 


(was it like that too 

when you were living



no, not exactly that: 


it wasn’t just the extremities, the stained glass, 


but also photos of the extremities 


and my brother who


as a child 


would eat only if he saw saint jerome 




with peacocks around the picture


and I who never looked at the camera 


not because I didn’t like


specks of light hovering around but


you prayed for me, of course 


and I prayed for you—of course 


I always still think of this  


when I see a little donkey 


how when you left


with the Unstable Theatre Company of China


and later returned 

to visit my thoughts, at night, in bed, before falling asleep 


it would be a kind of relief: 


“pop-Pound,” they told me 


I could say (okay, or an after-dinner poire williams)


but we both know it’s not 


though we could also say yes, sometimes 


(but we could also say 

no, always no)


but sometimes 


you ask yourself 

(out of distrust)

why a man holding a baby would have that special sort of







I’d have to travel someplace very cold 

or far 

for you to come with me 


before bed I’d already have the news


(your news)


before waking I’d know of the time 


in Milan 




as if in some way


you knew 


if you came with me 


you’d have to leave for someplace warm –


(before, we slept and above us was written 


“what is vital, in a world of sound,

is to maintain continuity”) 




the tongue the eyes the ears 


the intelligence of a perspicacious man 


are born in the middle of his chest, they said 


the chance of rain 


falling on the birch leaves, now, 




39% yes


and 61% no –


she (History) begins like that, always with someone 





they had made a portrait—(me, you, our heads


touching)—and now the lake 


with innumerable islands peninsulas bays 




uninhabited) but us


with our feet beside the most ancient footprints of the world 


we didn’t hear anyone say 


“from the Christmas lights of Edinburgh”


(separating us, now—)


from the chords played by Baden Powell with his right hand, resounding 


on a Samsung phone in the distance 


Dante, Lautreamont


separating it all: dream, water, reverie 


madness and eyes 


“clear as day”—clearly


no one would say 


meditating is what leaves us like this 




even if no one knew 


how to foresee 


nights and days like these, full of heat and rain,


in which nothing 






(to Empedocles, breath is contained in all)

Para que servem as manhãs se não para isto?

A luz começou a brotar e não a descer e já tinham assado dois

pães ou bolos e não deram certo num deles

faltava açúcar


alguém começava a morrer e não a comer um carneiro como você disse ao telefone eu sei


que as coisas são diferentes agora que você não está – mas pensa


a voz


viaja por tantos lugares antes de chegar até nós


e você disse que isso iria acontecer


antes de ir


quando leu


numa antologia de poesia moderna


que era assim: o normal, no mundo dos sons,


é manter a continuidade


mas você sabe que não estamos no mundo dos sons


não sabe?


eu sei eu sei


que da primeira vez que alguém disse isso ele veio até aqui


e veio até nós e disse:


se saírmos da mesa, do bar,


– isolados pelo barulho do bar –


você saberia, melhor do que ninguém,


que era isso o que iria acontecer: alguém iria querer


ir a Maricá (hoje, amanhã ou mais especificamente a qualquer hora do dia de qualquer semana) – mas você sabe


(melhor do que ninguém)


que as bancas de jornal ainda vendem papel

mesmo que ninguém os compre

só os velhos, vez ou outra,

porque às vezes

ainda sai um poema teu no jornal


mas pensa –


a cidade ainda está em guerra mas as casas

como disse auden citado por alejandro


as casas são onde duas ou três coisas importantes ainda acontecem





As áreas ao redor do japão

os primeiros passos ao redor do poema e então os versos

escritos p/ ti,


< em direção a ti >


Lá, na capital sul-americana do porco light


as coisas acontecem já sempre no chão

não como as roupas, dobradas –


caindo sempre exatamente assim,

sobre os corpos, dobrados – como numa olimpíada



você sabe


o que isso quer dizer:


aquele menino nunca dormiu na tua cabeça e agora

aqui, na capital sul-americana do porco light,

é como se já soubesse


o passado


os poemas


não eram


como os meus, os teus

ou nossos – que escrevemos


sem sequer saber o que são




mas agora, aqui,

na capital sul-americana do porco light,

as coisas acontecem já sempre no chão

e os humanos não mais temem

             seu passado –


(as chaves

não eram nunca perdidas, mas sim encontradas


e as roupas não eram nunca colocadas na chuva e sim sobre os corpos mesmo

que ninguém estivesse

"preparado para aquilo”


– como era mesmo o nome do estrangeiro

que chegava e atravessava a cidade e sempre caía, mesmo na chuva?)



que ninguém pensasse ou soubesse o contrário:


que aquilo era um sonho

ou uma invasão –


Não, era muito mais do que isso: era um pôr-do-sol

Na capital sul-americana do porco-light –


e era quando

num futuro próximo

os conglomerados chegavam até as estrelas

e você notava

como eu vim


parar aqui


– ou quando soubesse

(como diz saber agora)

o que escrever, o que fazer,


o que dizer


sobre aquelas construções

feitas todas antes de nós


sobre nós, dentro de nós, ao lado de nós –


e junto daquilo tudo


a cidade fortificada ficando pra trás


e dando adeus a nós, que a deixamos


como quem deixa um poema.





Um homem segurando um bebê

quando surgiu entre nós um lírio, do cajado de josé,


(porque jesus escolheu um burro

e não um cavalo

para entrar em jerusalém)


foi quando tudo aquilo começou


e se delinearia ainda através da brisa, da névoa, do mar


fíjate –


eram crianças

e brincavam ao redor do mundo

nos túneis, jardins,

nos monumentos

da guerra


e aqueles eram os plátanos

para os quais Plath e Pound

tinham olhado


agora, pensa:


há um número infinito de rios e lagos e mares

e você adquiriu uma balsa


e você gostaria que eu estivesse estado lá, é claro


(que eu também gostaria, é claro)


porque era um lindo dia de chuva com sol nos vitrais


e Youssef perguntava

se ainda amávamos

os pais




o rosto enrugado


& alongado


como em um El Greco


(ou um jesus


de plástico)


e eu talvez ainda tivesse na boca


o gosto de algo distante


(como queijo, cavalos, maçãs)


ingredientes que ninguém sabia ao certo


e ninguém sabia

se ali onde estávamos


era uma igreja

ou uma cozinha


(era assim também

quando você morava



não, não era exatamente isso:


não eram só as extremidades, vitrais,


eram também as fotos das extremidades


e meu irmão


que quando pequeno


só comia se olhasse o são jerônimo




com os pavões ao redor da fotografia


e eu nunca olhava pra câmera


não porque não gostasse


das bolas de luz que pairavam ali mas


você rezava por mim, é claro


e eu também rezava por ti – é claro


que sempre ainda penso nisso


quando vejo um burrinho


e que quando você fosse embora


com a Companhia Instável de Teatro da China


e depois voltasse

a visitar meus pensamentos, à noite, na cama, antes do sono,


seria uma espécie de alívio:


“pop–Pound”, disseram


que eu poderia dizer que foi isso (ou então o poire williams depois do jantar)


mas nós dois sabemos que não


embora também pudéssemos dizer que sim, às vezes


(mas poderíamos dizer também

não, sempre não)


mas às vezes


você se pergunta

(porque desconfia)

por que um homem segurando um bebê teria essa luminosidade







eu teria que viajar para um lugar muito frio

ou longe

pra que você viesse comigo


antes de dormir eu já teria todas as notícias




e antes de acordar, já saberia do tempo


em Milão




como se de alguma forma soubesse


que se você viesse comigo


seria necessário partir para algum lugar muito ao sul –


(anteriormente havíamos dormido e acima de nós estava escrito


“o vital, em um mundo de sons,

é manter a continuidade”)




a língua os olhos e ouvidos


e a inteligência de um homem perspicaz


nascem no meio de seu peito, disseram


que a chuva


caindo sobre as folhas de bétula, agora,




39% sim


e 61% não –


ela (a História) começa assim, sempre com alguém





tinham feito um retrato – (eu, tu, nossas cabeças


tocando) – e agora o lago


com inúmeras ilhas penínsulas baías




desabitadas) e embora nós


estivéssemos com os pés ao lado das pegadas mais antigas do mundo


não ouvimos ninguém dizer


“das luzes Natal de Edimburgo”


(nos separando, agora – )


das cordas com que Baden Powell tocava com a mão direita e ressoavam então


num celular Samsung, ao longe


Dante, Lautreamont


separando tudo: sonho, água, devaneio


loucura e olhos


claros como o dia” – claro


que ninguém diria


que praticar meditação é o que nos deixa assim


“imaginando” – depois,


mesmo se ninguém soubesse


como poderiam prever


noites e dias cheios de calor e chuva como estes


em que nada






(para Empédocles, a respiração está contida em tudo)

Translator's Note

Catarina Lins is a poet who I translate twice—once off the page, once on the page, usually in that order. Her poems come alive as much through their words as through the space between them. Breath takes form both visually and aurally, through line breaks, assonance and consonance, yielding a rhythm that pulses forward while continually drifting back, into reminiscence. From the slight variation on Anne Carson (“what is normal, in a world of sound / is to maintain continuity” ) to Plath and Pound and the paintings of El Greco, Lins traverses the multifaceted world of art and sound. Her poetry, with a perceptible nod to Imagism (and Modernism, more broadly defined), reminds me of Archibald MacLeish’s “Ars Poetica”: “A poem should not mean / But be.” Lins’s poems wander through memory, seemingly past and future, calling our attention to the smallest details (like cheese, horses, apples) while never losing sight of the massive conglomerates touching the stars. Indeed, this is one of the joys of translating Lins’s work, which feels both proximal and distant, as if we’ve heard these sounds before and yet continue to step into a world unseen.

The four poems presented here come from the collection Na capital sul-americana do porco light [In the south american capital of pork-lite], published by 7Letras in 2018. When I asked Lins about the title, she explained that it was a mixing together of language: a friend had claimed that a city in the state of São Paulo was the “South American capital of baby shoes,” and that city also happened to hold a festival of “suíno light,” pigs genetically modified to have a lower percentage of fat. The oddness of it all seems to live within that extreme attentiveness to language so characteristic of Lins’s poetry.

In this selection, we might begin by searching for the “you” whom the speaker addresses, simultaneously present and absent throughout. Is it a lover, or a past lover? A friend, or more than a friend? Could it be you, or me, or a reader caught in the space between?

Where we are becomes just as important as who we’re with. “What are mornings for, if not for this?” Lins asks, in the title of a poem that brings us home—to a place of intimacy, where “two or three important things still happen.” But Lins reminds us that a world continues beyond our walls, that “newsstands still sell papers / even if no one buys them.” This shifting in time and space, between young and old, city and abode, allows for a remarkably nonlinear translation. I find myself working from one echo to the next, waiting for syllables and sounds to connect. We might take, for example, one of the earlier verses in “A man holding a baby”: “that was when it all began / and still it would limn through the breeze, mist and sea / see / they were kids.” I see that subtle variation “sea / see” as a substitute for the Spanish “fíjate”; the sense of the translation may be different, but the sound preserves its spirit. Another instance where sound prevails—this time an alliteration present in the Portuguese—comes in the following verse, “and those were the sycamores / pondered by Plath / and Pound.” Lins plays with words in a way that makes translation spontaneous, sonic and deeply improvisational. I leave a translation “like one leaves a poem”: with that feeling that something new, something vital, was just created.

Daniel Persia


In the Classroom